Farewell e os soluços

novembro 11, 2009 às 12:50 am | Publicado em Pablo Neruda | 3 Comentários

farewell
1

do fundo de ti, e ajoelhada, uma criança triste, como eu, nos olha.
por essa vida que arderá nas suas veias teriam que se amarrar nossas vidas.
por essas mãos, filhas das tuas mãos, teriam que matar as minhas mãos.
pelos seus olhos abertos na terra verei nos teus lágrimas um dia.

2

eu não o quero, amada.
para que nada nos amarre, que não nos una nada.
nem a palavra que aromou tua boca, nem o que não disseram as palavras.
nem a festa de amor que não tivemos, nem os teus soluços junto à janela.

3

(amo o amor dos marinheiros que beijam e vão-se embora.
deixam uma promessa. não voltam nunca mais.
em cada porto uma mulher espera: os marinheiros beijam e vão-se embora.
uma noite se deitam com a morte no leito do mar.)

4

amo o amor que se reparte em beijos, leite e pão.
amor que pode ser eterno e pode ser fugaz.
amor que quer se libertar para tornar a amar.
amor divinizado que se aproxima. amor divinizado que vai embora.

5

já não se encantarão meus olhos nos teus olhos, já não se adoçará junto a ti a minha dor.
mas para onde vá levarei o teu olhar e para onde caminhes levarás a minha dor.
fui teu, foste minha. o que mais? juntos fizemos uma curva na rota por onde o amor passou.

fui teu, foste minha. tu serás daquele que te ame, daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
vou-em embora. estou triste: mas sempre estou triste. venho dos teus braços. não sei para onde vou.
… do teu coração me diz adeus uma criança. e eu lhe digo adeus.~

Pablo Neruda

Anúncios

3 Comentários »

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

  1. Gostei do blogue e apeteceu-me partilhar com vocês uma música que acho muito bonita.

    Bjs

    Balançar
    Pedes-me um tempo
    para balanço de vida
    mas eu sou de letras
    não me sei dividir
    para mim um balanço
    é mesmo balançar
    balançar até dar balanço
    e sair.

    Pedes-me um sonho
    para fazer de chão
    mas eu desses não tenho
    só dos de voar
    e agarras a minha mão
    com a tua mão
    e prendes-me a dizer
    que me estás a salvar
    de quê?
    de viver o perigo
    de quê?
    de rasgar o peito
    com o quê?
    de morrer
    mas de que, paixão?
    de que?
    se o que mata mais é não ver
    o que a noite esconde
    e nao ter nem sentir
    o vento ardente
    a soprar o coração..

    Pensa em mim
    dentro das mãos fechadas
    o que cabe é pouco
    mas é tudo o que temos
    esqueces que às vezes
    quando falha o chão
    o salto é sem rede
    e tens de abrir as mãos

    Pedes-me um sonho
    para juntar os pedaços
    mas nem tudo o que parte
    se volta a colar
    e agarras a minha mao
    com a tua mao e prendes-me
    e dizes-me para te salvar
    de quê?
    de viver o perigo
    de quê?
    de rasgar o peito
    com o quê?
    de morrer
    mas de que paixão?
    de que?
    se o que mata mais é não ver
    o que a noite esconde
    e nao ter nem sentir
    o vento ardente
    a soprar o coração.

  2. Hi there it’s me, I am also visiting this web page on a regular basis, this web site is truly pleasant and the viewers are truly sharing nice thoughts.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: